Perdas de 1,5% do faturamento: onde elas moram
A pesquisa KPMG e Abrappe mostra quanto o varejo perde e ajuda a achar onde olhar primeiro na sua operação.
A pesquisa da KPMG com a Abrappe, feita com 179 empresas, calculou perdas de R$ 36,5 bilhões, o equivalente a 1,51% do faturamento líquido do varejo. Outra edição da Abrappe, noticiada pela Giro News, falou em R$ 42,1 bilhões, uma alta de 15,3%. Os dois números apontam na mesma direção.
Perda, no vocabulário do setor, junta várias coisas: quebra e vencimento, furto externo e interno, erro de recebimento, erro de inventário e falha de processo no caixa. Cada uma tem uma causa diferente, e tratá-las como um número único esconde onde está o dinheiro.
Os dados que ajudam a achar o problema estão quase sempre no PDV e no estoque: devoluções por operador, cancelamentos de venda, ajustes de estoque fora do horário e produtos com diferença recorrente de inventário. Padrões repetidos por loja, turno ou operador são um sinal para olhar com cuidado.
Leitura relacionada: Veja como a detecção de anomalias aponta perdas numa operação de varejo.
Detecção de anomalias com IA trabalha em cima desses dados. Ela marca o que foge do padrão de cada loja e entrega uma lista para uma pessoa investigar. A decisão sobre o que fazer com cada caso continua sendo humana, e a lista deve ser tratada como pista, não como acusação.
Um exercício útil é separar a perda em três grupos. O primeiro é o que você vê, como produto quebrado ou vencido registrado em baixa. O segundo é o que você registra errado, como diferença de inventário que ninguém explica. O terceiro é o que some sem registro. O segundo e o terceiro são os que dão mais trabalho.
Para ter uma ordem de grandeza da sua loja, aplique 1,51% ao faturamento mensal. É a média nacional, e a sua pode ser menor ou maior. Se o resultado for um valor que você não consegue explicar com as baixas registradas, a diferença é um bom ponto de partida para investigar.
Reduzir 10% dessa perda equivale a 0,15% do faturamento. Parece pouco, mas em uma rede com margem apertada é uma parte relevante do lucro. A conta deve ser feita com a média da sua própria operação, não com a média do país.
Para quem está começando, uma planilha com as dez maiores diferenças de inventário do último trimestre já dá uma direção. Se os mesmos itens aparecem repetidamente, o problema provavelmente é de processo e não de azar.